A dimensão filosófica da mediação é a verdadeira descoberta que um estudioso encontra enquanto se ocupa de "projetar" institutos e práticas do jogo mediatório. A descoberta não é um fim em si mesma e destinada a viver em um ambiente rarefeito de conceitos, mas dá espessura e profundidade às escolhas de políticas públicas relativas à gestão e resolução dos conflitos. Fabiana Marion Spengler fez-me compreender essa conexão e a desenvolveu com inteligência. O que emergiu foi uma primeira tentativa, e eu penso que não de muitas, de uma teoria geral da "mediação". A mediação é um nó (ligação) linguístico que atravessa os grandes temas do pensamento clássico e é provada pela persistência semântica que as suas "palavras" constantemente atestam. Assim, faz-se necessário encontrar outras dimensões capazes de reavivar a análise: a sugestão do livro é clara. Tempo e espaço, categorias aristotélicas, são aquelas que explicam o significado e o desafio teórico da mediação. Aqui encontra-se o tema das com-munitas; tempo e espaço, ao mesmo tempo, caracterizados pelo munus, dever e jogo do presente. Assim, os conflitos reúnem a comunidade e a forma de estar "entre" o conflito nos dá a medida da mediação. O tribunal tem outros lugares, em milhas de distância: o juiz é "terceiro" e "imparcial", a sua linguagem é uma metalinguagem, o mediador é este e aquele que está entre as partes, fala a mesma língua do conflito. O juiz decide, o mediador "traduz".