Este é um livro sobre as ideias de Bion e suas transformações, concebido por um pensador clínico da psicanálise não saturado de biônimo Penso que esta é a melhor condição possível - talvez a única - de ser fiel à proposta seminal de Bion visando uma atitude sem memória, sem desejo e sem compreensão prévia, racional, consciente e finita; isso vale tanto no consultório quanto na vida.Empresto de Joseph Schwartz, eminente físico teórico, a feliz expressão "reducionismo militante". Toda militância implica um reducionismo consentido das infinitas alternativas do livre pensar, e é exatamente a resistência a qualquer militância reverencial em relação à sua obra e seu próprio nome que caracteriza a escritura tantas vezes irônica e antiescolástica de Bion. Uma escritura que dispensa apóstolos autorizados e se abre para todos os campos emocionais do conhecimento. É esse compromisso com a abertura para o "Novo", essa tentativa de esclarecimento não dogmático das idéias, que norteia o convite ao leitor para "pensarmos juntos", que aproxima Luis Cláudio, Gina e Marina de Wilfred Bion. Mais além do "pensarmos juntos", é um convite para brincarmos juntos com a seriedade e o rigor com que brincam as crianças, tendo como estímulo evocativo as transformações provocativas de Bion.O presente livro foi, em sua origem, material das aulas de Luis Cláudio na PUC-SP. Mas, talvez porque brincar sozinho não seja tão divertido, Gina Tamburrino e Marina Ribeiro foram convidadas a transformar as aulas em livro, tornando-se assim coautoras. Para finalizar, lembro um antigo aforismo Zen : "Não fixe o olhar no dedo do mestre; olhe para onde ele aponta". É para lá que se dirige o olhar arguto e desapegado de Luis Cláudio e suas colegas, e para onde eles nos convidam a olhar.