O livro trata da produção do escritório de arquitetura Ribas y Cia (Francisco Ribas y José Luis Cia), fundado no início de 1960 em Barcelona, e reivindica sua inserção dentro da cultura arquitetônica catalã da segunda metade do século 20. Neste período, a Espanha, impulsionada pelo crescimento econômico iniciado na década de 1950, dava sinais de renovação do pensamento arquitetônico, desvinculando-se lentamente dos esquemas clássicos da década de 1940. A inserção proposta neste livro se apoiou em pelo menos dois eixos que conduziram a pesquisa: a participação na consolidação da arquitetura moderna catalã da construtora que antecedeu a constituição do escritório, a Ribas y Pradell; e a análise e constatação de uma produção a partir dos anos 1960, que se mostrou segura e coerente. Ela foi desenvolvida em meio à rotina de um escritório pequeno, que buscou o ponto de inflexão de sua obra numa evolução lenta e acumulada no dia a dia de trabalho. No primeiro caso,através da construtora Ribas y Pradell, foram desvelados obras e personagens fundamentais dentro da historiografia arquitetônica local, que se entrelaçam à posterior fundação do escritório, como o arquiteto Raimon Durán i Reynals. No segundo, observou-se através de uma quantidade expressiva de mais de 700 projetos a afirmação de uma arquitetura na qual se deve inevitavelmente considerar sua inserção numa paisagem específica. Tal fato determina um fio condutor que percorre toda a obra e condensa um interesse claro pela renovação da arquitetura espanhola, vinculando os experimentos modernos da primeira metade do século 20 e a busca dos aspectos culturais autóctones mais essenciais. Este modo de pensar e fazer arquitetura foi mantido, apesar da diversidade de programas deparados pelos arquitetos, deixando evidenciar-se tanto nos projetos de casas de uso esporádico programa predominante como nos edifícios públicos ou institucionais de maior representatividade. São exemplos a sede da Diputación de Barcelona (1985) ou as intervenções no Circuito de Catalunya (autódromo da Catalunha), iniciadas em 1990 com a torre de controle e o edifício para os boxes. Em todos esses projetos condensam-se aspectos tipológicos, formais, compositivos e técnicos que compõem uma espécie de linha contínua e subliminar. Ali, seguem vigentes as medidas que regem a composição dos alçados, bem como as proporções entre cheios e vazios e entre alturas e distâncias. É definido, assim, um modus operandi que permite a imersão desta produção em uma tradição moderna a duras penas restabelecida e o respeito pelos valores culturais e pelo meio físico onde se inserem seus projetos.