Atualmente, o edifício da democracia constitucional encontra-se agredido, como modelo teórico e como projeto político, pela assimetria entre o caráter global dos poderes econômicos e financeiros e os confins ainda estatais do direito e da democracia; agredido também pela abdicação, por parte da política, de seu papel de governo, restando aquela impotente e subordinada aos mercados, bem como onipotente em relação às pessoas mais frágeis e a seus direitos; agredido igualmente pelo desenvolvimento geral da ilegalidade, ou pior, pela ausência de regras sobre os poderes, sejam públicos ou privados.