Em meio aos desafios contemporâneos da convivência entre culturas, esta investigação psicossocial objetivou compreender como crianças da comunidade tradicional de Morro Vermelho/MG encontram a alteridade cultural ao começarem a frequentar a escola na cidade. O referencial adotado a fenomenologia clássica de Husserl e Stein orientou a coleta de dados em observação participante e a análise das vivências. Foi possível identificar que a transição é vivida pelas crianças como processo de abertura pleno de juízos, orientado pela exigência por uma experiência totalizante de familiaridade que elas se empenham por concretizar. Evidenciou-se como essa exigência, fator estruturante do mundo-da-vida da coletividade investigada, articula-se a características culturais barrocas e brasileiras e constitui-se como recurso da formação tradicional no encontro com a sociedade modernizada, pois mobiliza os sujeitos a uma inserção aberta, ativa e crítica.