Poblado Oriental e Passo do Catí são duas cidades separadas pela Avenida Internacional, que delimita também a fronteira de Brasil e Uruguai. Diz-se que se uma carta de um lado rua for colocada no correio endereçada ao outro lado, demorará um mês para chegar, porque deverá seguir ao Rio de Janeiro ou a Montevidéu, e depois voltar. É a esta fronteira que Antônio chega, vindo de Porto Alegre, depois de uma noite dirigindo através dos pampas, a paisagem noturna se confundindo com as lembranças da amiga de juventude, Adèle. É Blanca Lucía quem o recebe, em sua casa corroída pelo tempo, com a notícia da morte da mãe. Veio para uma conversa, chegou para um funeral. A fronteira entre luz e sombra, entre o português e o castelhano, entre narradores que se alternam, entre dúvidas e certezas não são concretas como a Avenida Internacional, e é sobre elas que Antônio pensa se equilibrar, numa trama que acontece à sua revelia e que protagoniza sem perceber. Quando dá por si está comprando uma faca, está participando da Noite das Mascaradas, um antigo ritual pagão para trazer boa sorte. E observando tudo, pelas ruas dos dois países, caminham as Sete Viúvas da Calle de los Desengaños, que rezam pelas almas dos desamparados.