Percorrendo a produção de João Antônio desde o lançamento, em 1963, de Malagueta, Perus e Bacanaço, este livro analisa seus contos - além dos três principais textos autobiográficos - nos quais as figuras paternas (pais ou pais substitutos) têm papel decisivo para os protagonistas. A relação entre eles se expressa por meio da malandragem, que aparece, para além dos estereótipos de comportamento, como mecanismo de funcionamento social, estratégia de sobrevivência e de inserção em uma sociedade violenta - sobretudo São Paulo, mas também Rio de Janeiro, em meados do século XX. Bruno Zeni identifica o que chama de "a sinuca dos malandros", isto é, as contradições, limitações e impasses dos personagens, além da própria procura de sentido que se esboça nas obras. Atento aos aspectos sociais, psicológicos, biográficos e paraliterários dos textos, Zeni prioriza afinal a interpretação literária, buscando levantar questões relevantes e situar a obra de João Antônio na tradição literária brasileira.