O autor descreve sua conturbada infância marcada pelo consumo de drogas do irmão mais velho. Mas, em vez de enveredar pelo lugar-comum do estrito lirismo sugerido pelo drama familiar, há também uma tentativa de se equacionar, com dose sarcástica, as motivações do irmão; o porquê dos seus curiosos contrastes ideológicos - desde a “fase hippie”, passando pelos graves motins comportamentais até a decisão de partir em busca do chamado “sonho americano”.Em 1986, o autor decide ir ao encontro do irmão em Nova York, onde passa a viver a sua própria aventura - como o fato de, sem saber inglês, virar taxista numa das maiores e mais violentas cidades de então. Contudo, Nova York reservaria para o narrador a realidade mais perversa: um trágico reencontro com a sua própria infância. O autor então se flagra refém não só da fantasmagórica entidade psíquica que o aterrorizara no passado, mas também dos muitos inimigos – os visíveis e os invisíveis – que tal “entidade” fizera por lá. Desta forma, Nova York passa a significar um suntuoso cenário para o drama que permeia toda a obra.Os detalhes da profissão de taxista em Nova York; a vida de um imigrante brasileiro e sua convivência com a colônia nas áreas suburbanas mais baratas é também um convite para que o leitor mergulhe numa realidade raramente conhecida daquele muitos compatriotas que têm curiosidade em saber como é a vida fora do Brasil.