O mal de Sachs é o segundo romance de Martin Winckler, pseudônimo de Marc Zaffran - um médico convertido à literatura, segundo a tradição de Tchekhov, Céline e tantos outros. Trata-se de uma espécie de diário do "médico rural" dr. Bruno Sachs, mas com uma particularidade: os narradores são os pacientes - velhos e velhas, homens, mulheres e crianças que habitam a comunidade imaginária de Play, a secretária do dr. Bruno, a mãe, os colegas médicos. Aos poucos as descrições que eles fazem vão traçando não só o perfil desse homem atencioso na relação com os pacientes - embora se mantenha solitário e misterioso em sua vida privada -, mas dos próprios clientes, cujas manias e idiossincrasias revelam-se ora cômicas, ora dramáticas.Tudo gira em torno da figura do médico, em torno da vulnerabilidade e da perspectiva da morte, e o "mal" de Sachs, nesse caso, é a própria medicina. O dr. Sachs é tão vulnerável e humano quanto os seus pacientes, um homem extremamente preocupado com a ética da profissão, um médico que tem ao mesmo tempo horror a médicos e a consciência de que é impossível deixar de ser um deles.Embora recuse para este livro o rótulo de autobiografia, Winckler teve uma experiência de dez anos como clínico geral no interior da França, e não há dúvida de que as consultas relatadas por ele são fruto de observação. Sua invenção narrativa está em transformar os pacientes em observadores do médico.Lançado em janeiro de 1998 na França, O mal de Sachs logo conquistou o público e a crítica e em 1999 foi transformado em filme.