Preferimos começar este livro contando a história que lhe dá origem. Assim, era uma vez um grupo de pesquisadores que entendia que poderia e deveria ir além da academia, atravessar os muros da universidade e chegar à sala de aula. Ancorados no campo da Linguística Aplicada (...), o grupo se constituía em torno de preocupações a respeito de como ultrapassar a barreira entre o dizer e o fazer. Ora, isto se passa em 2003, quando os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) já haviam sido lançados há 5 anos e não se notavam mudanças importantes no cenário do ensino de língua materna. A história ganhou um novo capítulo no início de 2011, quando recebemos apoio da Capes (Programa Observatório da Educação). Desde então temos trabalhado na formação continuada de professores; nossas pesquisas nos haviam mostrado que, apesar dos bons resultados que alcançávamos com as experiências com sequência didática, os trabalhos às vezes eram um pouco artificiais. Nesse ponto entra o que estamos chamando de Projeto Didático de Gênero – PDG, que dá ênfase aos processos de letramento relacionados à prática social da escrita pelos alunos. E este livro conta um pouco disso. A primeira parte dele traz a ancoragem na didatização de gênero; na segunda, damos voz aos professores participantes do projeto, no momento em que relatam sua experiência com a construção dos PDGs e procuram também ouvir os seus alunos, que os ajudaram a desenvolver tais projetos.