Esse livro oferece uma abordagem histórica, estética e crítica de um dos principais conceitos do vocabulário fílmico: a ideia de mise en scène. O autor investiga as origens teatrais do termo e sua aplicação na teoria cinematográfica, enfatizando o papel central que ela adquiriu nos anos 1950, quando se tornou ferramenta teórica da revista Cahiers du Cinéma. Depois de identificar a definição clássica da mise en scène, a discussão se desloca para as diferentes etapas de evolução e problematização do termo nas últimas décadas, culminando com a aparição das noções de cinema de fluxo e filme-dispositivo a partir do final dos anos 1990. É quando se reacende o debate, iniciado na segunda metade da década de 1960, sobre o possível "fim da mise en scène" e sua substituição por outras estratégias conceituais. A obra procura articular a abordagem teórica à prática da análise fílmica. Para tanto, além de avaliar a mise en scène tal como aparece nos escritos clássicos (Rivette, Rohmer, Michel Mourlet, Alexandre Astruc) e atuais (Jacques Aumont, David Bordwell, Stéphane Bouquet, Alain Bergala), analisa os estilos de encenação de diretores pertencentes a diferentes épocas e escolas estéticas, como Otto Preminger, Joseph Losey, Claire Denis e Hou Hsiao-hsien. O esforço aqui empreendido visa recolocar em discussão este conceito essencial na história do cinema. Buscar a origem e o significado da mise en scène no cinema é uma forma de contribuir para o debate estético em torno dos fundamentos da sétima arte sem deixar de questionar seus rumos.