O escritor belga Bart Moeyaert achou um modo original de narrar os sete dias da Criação. Partindo do texto bíblico, o livro é um diálogo entre Deus e o Homem, que começa antes da existência do universo. E, se para Deus no início era o verbo, nesta história, o início era a música. Moeyaert recontou em palavras o oratório do compositor austríaco Franz Joseph Haydn, A Criação (1798), transformando a melodia dos instrumentos de sopro da orquestra no vento criador do universo, da natureza, do homem e da mulher. A leveza de Haydn é percebida no tom da fala de um Deus bonachão, de sorriso largo e olhos atentos, como o traço do ilustrador alemão Wolf Erlbruch o representa. Já o contraponto fica por conta do Homem pequenino e assustado diante do fenômeno que testemunha: a criação de todas as coisas.