O JOGO DAS CONTAS DE VIDRO é um livro do Ocidente, porém deixa antever reminiscências do Oriente e simboliza a reaproximação de Hesse ao Cristianismo, figuradamente a amizade entre José Servo, herói da história, e a Ordem de São Bento. Como é ressaltado no prefácio da obra, aqui se mostra a reconciliação do escritor com o mundo de sua infância, a casa paterna e a austeridade religiosa de sua família de pastores protestantes, e marca o fim do conflito que opôs o autor, desde tenra idade, ao ambiente doméstico, conflito que o levou ao ceticismo religioso e, depois, à revolta. Muitos personagens desse intrincado jogo, possuem nomes simbólicos. Um dos funcionários da Castália — o fictício país da castidade, onde se passa a trama — se chama Dubois, nome da família do avô de Hesse. Thomas von der Trave é Thomas Mann e o padre Jacobus esconde o perfil de Jacob Burckhardt. Herman Hesse publicou O JOGO DAS CONTAS DE VIDRO em 1943, quando já se encontrava no fim de sua carreira de escritor, decisão que tomou antes de lhe ser concedido o prêmio Nobel de Literatura e que antecedeu de quase 20 anos ao seu falecimento, em 1962. Esse longo período final de sua vida, ele devotou ao recolhimento em sua casa de campo, na Mongólia. Contista, poeta, ensaísta e editor de obras importantes da literatura alemã, Herman Hesse nasceu em 2 de julho de 1887 na pequena cidade de Calw, na Alemanha. Filho de um missionário, pregador pietista, Hesse passou a infância na sua cidade. Viveu na Basiléia de 1881 a 1886 e freqüentou, em 1890, a escola de latim em Goppingen, diplomando-se em 1891. Conseguiu escapar dos estudos de teologia ao fugir do seminário de Maulbronner. Começou a trabalhar cedo, empregando-se em uma livraria em Ebingen. A partir de 1903, dedica-se exclusivamente à literatura. Desencantado com a civilização européia, viajou para Índia em 1911 para conhecer a vida no Extremo Oriente. Partidário do pacifismo, lutou contra “a loucura sangrenta da guerra”. Exatamente por protestar contra a Primeira Guerra Mundial, perdeu a cidadania alemã, tornando-se cidadão suíço. Hesse é um dos principais representantes dos escritores do século XX que procuraram manter-se fiéis às tradições literárias românticas e clássicas, em contraposição à era folhetinesca e propagandística. Sua primeira grande obra, Peter Camenzind, foi lançada em 1904, e trata do melancólico desenvolvimento de um homem de origem modesta que, dotado de talento musical e espírito idealista, não consegue satisfazer as exigências práticas da sociedade. A índole acentuadamente romântica e a tendência para a análise psicológica caracterizaram as primeiras obras de Hesse. Em 1919 ele publicou Demian, considerado seu melhor livro pelos críticos; O último verão de Klingsor, em 1920; Sidarta, em 1922; O lobo da estepe, em 1927; Narciso e Goldmund, em 1930; O jogo das contas de vidro, em 1943; e muitas outras obras. Em 1946, recebeu o Prêmio Nobel de Literatura. Morreu em 9 de agosto de 1962.