Este livro, Por uma escola que dança, escrito pelas autoras Isleide Steil e Adair de Aguiar Neitzel, apresenta uma proposta que marca a atuação delas como professoras e educadoras. A dança é revelada, por um lado, na complexidade dos seus modos de fazer e suas diversas dinâmicas; e, por outro, está intrínseca, na feitura da dança, a pluralidade dos modos de ação e de reflexão do corpo no mundo, de experiênciá-lo e representá-lo, de forma a contribuir e expandir a compreensão dessa área nas instâncias artísticas, sociopolíticas e educacionais como contextos articulados. Entretanto, isso parte do entendimento de um corpo que se move a partir da sua fisicalidade e de suas habilidades motoras que são inerentes à forma humana. Sobretudo, esse corpo faz parte de um determinado contexto, portanto já carrega algumas informações, sejam de dança ou não. A habitação do corpo e as suas apreensões sensíveis do que o atravessa na relação com o espaço configura modos de ser e de mover-se. Suas experiências perceptivas e cognitivas produzem/geram outros modos de estar-se no mundo, porque a dança é um processo de construção de formas e de sentidos por meio da ação do corpo. Ao compreender que o corpo e a dança se fazem no entrelaçamento da interação do sujeito com o mundo, é possível afirmar que o corpo se faz mutuamente com o contexto que habita; assim, aspectos referentes à percepção-ação inerentes à prática da dança colaboram para complexificar esse campo artístico em fricção com práticas educacionais.