Sem a imaginação, de que valeria para o homem a inteligência?, indagação de Joaquim Nabuco, pode ser posta, encimando este caderno, com bom proveito. E isso é ainda mais evidente quando se descobre que este é um caderno de coisas. Coisas que são desenhos de coisas (...) Não conta como falar das coisas, como informa deliciosamente Ana Dias, que escreve o prefácio do livro da designer Dulce Horta sob o título de Caderno de desenhos para falar de fenômenos naturais. Cadernos têm sido de utilidade para assentos em Literatura e na Arte desde muito tempo e há os que não hesitaram em pôr o nome de cadernos em obras literárias, como é o caso do Caderno do aluno de poesia, de Oswald de Andrade, e nem é preciso atentar para outros exemplos, aqui ou em culturas de fora. Mas Cadernos de desenhos para falar de fenômenos naturais é especial, com desenhos de uma original artista que não se contenta com ilustrar uma coisa existente, a seu modo, mas sugere possibilidades de várias leituras, desde que se acerquem da realidade do que se ilustra, neste caso fenômenos (naturais) que necessitam ser desvendados com uma fala que necessariamente tem que ser inventiva. E aí entra o sentido inicial da palavra invenção: descobrimento. E, nessa senda, os desenhos de Dulce Horta propõem o desafio de refazê-los com a fala... vê-los, em alguns casos, como diversa realidade de um fenômeno, tal qual se dá com os três desenhos de raio, dos quais um parece estar, no escuro, realizando passos de dança. Fenômenos se torna, desse modo, divertimento e fonte de fala para pais e educadores, e deslumbramento para a criança. Falar desses fenômenos como aqui estão representados é, sem dúvida, um eficiente exercício de imaginação, pois o livro não conta como falar das coisas... É, sim, um caderno que aguça o senso de ver diferente, com um olhar o tempo todo envolvido com desenhos que são pura arte visual e fresta para muitos descobrirem a mais interessante verdade sobre esses fenômenos que, para [...]