A cadeia produtiva da reciclagem se estrutura sob o trabalho precário realizado por cooperativas, associações e catadores avulsos. A partir da coleta e triagem do material reciclável realizado por essas pessoas, majoritariamente mulheres, torna-se possível o retorno de diversos materiais ao ciclo produtivo. Se, atualmente, esses atores constituem o elo mais explorado dentro da cadeia, a sua organização protagonizada pelo Movimento Nacional dos Catadores de Material Reciclável (MNCR) demonstra capacidade de construção de respostas a essa situação. Dentro desse cenário, este livro aborda dois estudos de caso em cooperativas populares. A perspectiva analítica de gênero constitui o principal enfoque da pesquisa e permitiu observar uma divisão sexual do trabalho interna aos empreendimentos que se materializa na repartição das tarefas entre os sexos, nas diferentes formas de remuneração e nos cargos de representação. A maneira como cada empreendimento reproduz ou se contrapõe, em alguns momentos, à lógica estruturante da divisão sexual do trabalho evidencia as nuances e peculiaridades que a gestão democrática imprime no processo de diferenciação social por sexo.