Esta ficção política sobre o julgamento de um ditador comunista, em um país imaginário, nasceu de uma ida de Julian Barnes à Bulgária em 1991. “Foi uma visita emocional. Amei o povo, mas não imaginei naquele momento que este amor daria um romance. O povo búlgaro é irônico, direto, caloroso”, contou o autor em entrevista, em 1993, a uma jornalista brasileira. O questionamento radical dos julgamentos sumários dos déspotas e dos valores hipócritas que compõem a ética de seus sucessores joga água fria nos pensamentos liberais que tomaram conta do mundo, após a queda do Muro de Berlim. O país fictício de Stoyo Petkanov é a Bulgária, tanto que, mesmo preso, o ex-ditador búlgaro Todor Zhivkov pediu para ler o livro e gostou muito. A trama política que põe em xeque os julgamentos sumários de ditadores comunistas que trilham idêntico caminho de corrupção e violência pelo qual o réu está sendo condenado, é um pano de fundo para uma questão bem maior. A da capacidade humana de resistir e lutar, mesmo em isolamento máximo. “O porco-espinho” retrata a força do indivíduo diante da vida e da história.