O livro Paraty, a cidade e as festas tem como tema básico as festas religiosas ocorridas na cidade de Paraty ao longo do século XX, considerando principalmente seu significado para as pessoas que delas participavam. Mas para entender o corpo social, que tinha nessas festas um elemento importante de articulação e construção da identidade, a autora traça um breve histórico de Paraty, cidade que se tornou um dos emblemas da nacionalidade ao ser alçada à categoria de patrimônio histórico do Brasil. Recorrendo principalmente a informações publicadas na imprensa local, no intervalo compreendido entre fins do século XIX e do século XX, e a entrevistas feitas com alguns paratienses, o livro traça um retrato da vida cotidiana da cidade, nesse período, e um panorama das festas considerando as transformações pelas quais elas passaram. As tensões entre tradição e mudança perpassam toda a narrativa integrando vivamente a história do lugar até os dias que correm, como nos mostra a autora. Outro aspecto destacado pelo livro é o valor da cultura local que, a partir de determinado momento, foi percebido como um bem a ser oferecido. Esse dado se confirmou com a escolha de Paraty como pólo de turismo cultural, no âmbito das políticas públicas em vigor. Escrito há quinze anos, quando a cidade era bem diferente do que é hoje, o livro, num prisma em muitos aspectos premunitório, apontou direções que se concretizaram e deu voz à sociedade local tanto pela fala dos informantes quanto pelo texto dos articulistas dos jornais, utilizados como fonte para a reconstrução do passado de Paraty.