Em Três tristes tigres, Guillermo Cabrera Infante faz uma celebração à noite cubana. O autor oferece um instigante passeio pelas ruas do bairro boêmio Las Rampas, com seus bares, cabarés e casas de shows. A homenagem pode ser comprovada já no início do livro, quando o autor adverte: “A capa de Três tristes tigres (...) deveria exibir uma tarja com o seguinte aviso: Deve ser lido à noite”. Neste livro, considerado sua obra-prima, Cabrera Infante faz uma viagem à capital cubana pré-revolucionária. O humor e a narrativa fragmentada são elementos constantes no romance, que relata muito das memórias do autor como jovem jornalista. Três interessantes e divertidos personagens servem como guias pela movimentada noite de Havana. Esta obra possui várias peculiaridades. A oralidade, já exaltada no título, um típico trava-língua cubano, é uma delas. O linguajar “cubano” usado no texto mostra a intenção do autor de preservar a cultura de sua terra natal. Em certa medida, esta obra pode ser entendida como uma reação de Cabrera Infante à opressão que o regime de Fidel impôs ao alegre e festivo povo cubano. Cabrera Infante pertence à geração de Julio Cortázar, Carlos Fuentes, Manuel Scorza, García Márquez, Mario Vargas Llosa, entre outros. Mas suas influências são outras: Lewis Carroll, James Joyce, Sterne e Petrônio, que podem ser notadas em seus escritos, que têm como uma das principais características a intertextualidade. O autor deixou Cuba na década de 60 por se opor ao regime de Fidel Castro. Na transição para o exílio, ele chegou a servir ao governo revolucionário como adido cultural na Bélgica, de 1962 a 1965, ano em que se estabeleceu em Londres como exilado. Na capital inglesa, ele escreve Três Tristes Tigres, em 1968. É nesta época que se converte em crítico ferrenho do regime de Fidel. No início dos anos 70, o escritor cubano vai para Hollywood, onde obteve relativo sucesso como roteirista. Ele foi homenageado com o Prêmio Cervantes em 1997 e faleceu em 2005, na capital inglesa.