Publicados em 1938 tendo por base a reunião inicial de oito contos escritos em torno de uma família de sertanejos pobres, os trezes capítulos de Vidas secas são mais do que o périplo de uma família de retirantes acossados pela estiagem. Extravasando o escopo de um realismo marcado pela ambiência rural e a denúncia das mazelas sociais do campo, que se consagrou na década de 1930 sob a rubrica de literatura regionalista, Graciliano Ramos propõe um mergulho nos dramas íntimos de seus protagonistas - em seus temores, desejos e esperanças -, bem como uma exposição das violências a que são submetidos e da crua dureza com que constituem sua resistência. Nesse mergulho às consciências de Fabiano, sinha Vitória, os dois meninos e - não menos importante - seu animal de estimação, a cachorra Baleia, lemos momentos da mais bela elaboração literária, em que convergem o compromisso ético do autor diante de sua matéria e a construção estilística do texto, cuja economia veste com precisão o (...)