Faça o seguinte, pra que a viagem fique menos sofrida: conte uma história. Uma história? Está bem, senhor No auge do inverno de séculos atrás, pouco antes de Iranor sair da aldeia em busca do fogo extinto era como chamavam o mel de garapa que aquecia a vila, senhor, fogo extinto um pouco antes de sair em peregrinação, em jornada, Iranor ouviu passos na finíssima crosta de gelo que cobria o lago ao lado, um finíssimo ressoar de passos. Não vá lá, meu filho, disse a avó de Iranor, Ermengarda, o avô já havia morrido, já havia morrido metade da família no inverno rigoroso e, sem o fogo extinto, não iria era sobrar nada. A avó só olhou quando a porta fechou com estrondo, depois da passagem do neto, e orou. Diabo de menino, espero que um sirilampo do inferno morda o dedo dele, eu espero, mas a história não fala mais nada da vó e eu acho mas, claro, esse sou eu falando, senhor, não dê muita atenção eu acho que nenhum sirilampo mordeu Iranor naquela noite. Mas outra coisa mordeu