As comunidades negras rurais brasileiras, também conhecidas como comunidades remanescentes de quilombos, conquistaram o direito à titulação das suas terras em 1988. A partir daquela data, o movimento, que era embrionário, cresceu e transformou-se no maior movimento étnico fundiário do Brasil. Ao mesmo tempo em que as comunidades começaram a se organizar, surgiram várias lideranças femininas na linha de frente do movimento. Importantes pesquisas foram realizadas pela academia relatando histórias de mulheres que se empenharam na luta pela terra e que sofreram preconceitos pelo fato de serem mulheres, negras e pobres. Muitas vezes, a própria comunidade não valorizou o trabalho dessas guerreiras. Do Pilão ao Batom: histórias de mulheres quilombolas é uma obra com forte simbologia para o povo negro, pois o pilão representou a subsistência no quilombo antigo e o batom resume a afirmação e autoestima da mulher negra, que ainda sofre pelo estigma da sua tez. Todas as qualidades encontradas em uma comunidade negra solidariedade, trabalho coletivo, diversidade, respeito às diferenças, valorização do trabalho feminino balizaram a construção deste livro. Quinze pesquisadores de oito estados brasileiros desvelaram diferentes histórias sobre mulheres quilombolas. Na forma de puxirão, uma bela colcha foi tecida com belíssimos retalhos de alegria, persistência, superações, afirmação feminina, amor ao próximo, enfrentamentos e empoderamento.